domingo, 17 de julho de 2011

Carros 2

Os famosos personagens motorizados estão de volta na nova animação da Pixar, Carros 2. Seu lançamento se dá cinco anos após o seu antecessor de 2006. O roteiro acompanha essa cronologia mas muda a receita e envolve o público numa aventura de muita ação e mistério.
Há um certo estranhamento logo na abertura, onde acompanhamos um novo personagem, o espião Finn McMíssil na iminência de uma grande descoberta num complexo de estações petrolíferas em meio a um mar tempestuoso e turbulento. Nesse instante, ele é descoberto pelos vilões e protagoniza uma fuga espetacular no melhor estilo James Bond. Aliás, esse estilo de filmes de espionagem é que vai dar o tom da narrativa.

Após a lograda tentativa de eliminar o agente e uma sugestiva frase do líder dos capangas, chamado Professor Z, estamos de volta à velha Radiator Springs onde encontramos o reboque caipira Mate, alucinado, depois de perceber que seu melhor amigo, Relâmpago McQueen, está de volta à pequena cidade para gozar merecidas férias após a temporada de corridas. Na calorosa recepção reencontramos todos os personagens da primeira aventura e as cenas seguintes relembram episódios hilários da história anterior, sendo muito mais divertidas para quem assistiu o primeiro filme. Há inclusive uma menção honrosa ao Hudson Hornet, o velho 'Doc', corredor aposentado e mentor no primeiro longa.

Mas não será agora que Relâmpago MacQueen gozará de descanso. Em uma sequência hilária ele acaba aceitando o desafio de disputar o Grand Prix Mundial, cujo prêmio será competido por campeões do mundo todo, os carros mais velozes do mundo. O campeonato é patrocinado pelo magnata Miles Eixodaroda para comprovar a eficácia de seu novo combustível, o Allinol, ecologicamente correto e que susbstituirá os combustíveis derivados do petróleo. Todos o corredores irão utilizá-lo  nas corridas que se darão em vários países. Só que dessa vez McQueen resolve levar consigo seu amigo Mate. E é aqui que está a grande sacada dessa sequência. As constrangedoras trapalhadas do ingênuo Mate, que se tornam uma grande dor de cabeça para o Relâmpago, são divertidíssimas.

Assim, o principal protagonista de Carros 2 não é o Relâmpago McQueen, mas o velho reboque Mate. O que achei uma jogada arriscada da produção, por causa do apego da criançada ao herói turbinado - levei meu filho ao cinema para assitir e de vez em quando ele me perguntava: "Cadê o Relâmpago MacQueen?". Bem, ele é importante para a trama, mas fica em segundo plano. Mas os roteiristas (Ben Queen, John Lasseter, que também é o diretor, Brad Lewis e Dan Fogelman) sabem o que fazem.


No primeiro longa o argumento era a transformação do playboy autosuficiente e ambicioso em um personagem com sentimentos, que passou a reconhecer a necessidade da amizade e encontrou a beleza nas coisas simples da vida. Houve romance e uma clara transmissão de valores que acabaram resultando numa narrativa madura, mais voltada para o público adulto. O arco da história de McQuenn era uma reflexão da própria vida pregressa do diretor John Lasseter como um workaholic que não dava devida atenção ao convívio familiar. 

A história aqui, não é de transformação, mas de confimação. Portanto, Carros 2 é mais descolado. Os valores morais estão lá também, mas não escancarados como no primeiro. A preocupação aqui é entreter de forma descompromissada a criançada. A escolha de Mate como personagem central é perfeita já que o próprio era responsável pelas sequências mais engraçadas do primeiro. Nessa aventura, todo o seu potencial é explorado. Principalmente a partir do momento em que ele se envolve acidentalmente na conspiração internacional e acaba sendo confundido com um agente secreto americano. Alías, a sequência que envolve Mate nesse imbróglio, que se dá num banheiro japonês enquanto ele está às voltas com uma parafernália eletrônica, é divertidíssima. Depois da confusão a gente acaba se perguntando quem é mais ingênuo, o caipira Mate ou os inteligentes agentes Finn McMíssil e a bela  Holley Caixadebrita que enxergam na sua carroceria enferrujada, no seu sotaque e no seu jeito, o disfarce perfeito de um agente veterano. Daí por diante a aventura de espionagem é uma verdadeira corrida - literalmente - para descobrir quem está por trás da sabotagem dos competidores e por quê.

A reprodução das cidades que dão cenário às corridas de rua e perseguições da película foram o principal desafio dessa sequência, em termos técnicos. A primeira versão de Carros foi ambientada em uma cidade fictícia do deserto estadunidense. Agora, a ação se dá nas ruas de Tóquio, Porto Corsa, na Itália e em Londres. Essa variedade de paisagens conhecidas provou-se um desafio para a equipe técnica que também foi responsável pela Paris da animação Ratatouille, de 2007. Cada prédio foi construído digitalmente pelo sofware CityEngine, planejado para construir ambientes urbanos em 3D, tornando Carros 2 a maior produção da Pixar em termos de cenários.

Carros 2 acerta na trama ágil e divertida, na escolha de Mate como personagem central e possui um apuro gráfico de encher os olhos! Os novos personagens estão bem introduzidos (o engraçado carro italiano de fórmula 1 Francesco, é o desafiante do McQueen da vez), os elementos que compõe a narrativa e as locações em outros países ampliam ainda mais o seu universo. Pena que não deu para assistir em 3D.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Variação

Vaga o vento
Afora o tempo
De onde, não sei
Em liberdade com si só
Enlevado segue.

Suave, quase um cicio
Em brisa delicada
Acaricia os fios.
Baforada íntima
No rosto,
o arrebatamento.

Vai-se num repente
Tormenta e confusão
Externam dela
Multiforme.
Depois, calmaria.

Calor e frio,
Nem mais nem menos
Para onde segue
Não se sabe
Sujeita-se.
Mas se pudesse optar
Aqueceria a própria vida.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Frágil

Li no blog do meu amigo Chabrol, que leu no perfil do Orkut da amiga dele, que plagiou do Quintana e que plagio aqui também, porque me tocou inexplicavelmente.

EPÍLOGO
Não, o melhor é não falares, não explicares coisa alguma. Tudo agora está suspenso. Nada aguenta mais nada. E sabe Deus o que é que desencadeia as catástrofes, o que é que derruba um castelo de cartas! Não se sabe... Umas vezes passa uma avalanche e não morre uma mosca...Outras vezes senta uma mosca e desaba uma cidade.

Mario Quintana


sábado, 25 de junho de 2011

Falling Skies

    Assisti ontem a nova teleserie Falling Skies, pela TNT. O começo foi interessante, embora estejam ali os ingredientes de outras obras da ficção pós-apocalíptica de invasão alienígena, já meio batidos. Os dois primeiros episódios localizam bem o espectador em meio à crise de um planeta Terra invadido por uma raça alienígena hostil, sem embromação. As motivações dos personagens, além do instinto de sobrevivencia, vão sendo mostradas aos poucos e, certamente, algumas subtramas que tem início aqui, ficarão mais evidentes nos próximos episódios. O que é de praxe, para manter o interesse. 

   Minha primeira impressão é que a estréia teve a intenção de impactar - com ótimos efeitos especiais para uma teleserie (Steven Spielberg é o produtor executivo) e muita ação  - por ser um tema já meio massificado, lembrando que o mercado cinematográfico trabalhou com o mesmo há pouco em Invasão do Mundo: A Batalha de L.A e Skyline, o primeiro a ser lançado e o segundo recentemente lançado em DVD aqui no Brasil, sem contar com a série V, da Warner. Considerando algumas diferenças desse último, o pano de fundo é o mesmo.
   Vale acompanhar a nova série na esperança de que fique mais interessante, com ênfase, espero, na tensão entre os protagonistas e vilões, caso contrário, se o roteiro basear-se apenas nos esforços da rebelião de encontrar um ponto fraco dos invasores para derrotá-los, ficaremos com mais um subproduto do gênero, com episódios de muita ação, cheio de clichês e pouca profundidade dramática. 

   Chamou-me a atenção o professor de História e guerrilheiro Tom Mason (sensatamente interpretado por Noah Wyle), com as suas teorias de guerrilha embasadas no seu conhecimento de estratégias de guerra históricos. Tom tem um de seus três filhos feito prisioneiro pelos invasores e alimenta a esperança de resgatá-lo.
   Em um dos diálogos com Tom, um dos protagonistas levanta uma questão acerca do design bípede dos invasores robóticos (foram mostradas duas classes de alienígenas, os skitters orgânicos com 6 pernas e os mechs, que são robôs de ataque).  Afinal, quando engenheiros humanos projetam robôs, eles o fazem obedecendo um layout semelhante ao do ser-humano, como que recriando um padrão físico coerente do próprio criador. No caso dos invasores, os criadores dos mechs não seguiram o mesmo princípio, possuindo eles 6 pernas por que projetaram robôs bípedes? A resposta pode estar relacionada a alguma surpresa a se revelar nos próximos episódios.

  O Canal TNT começou, no mês passado, a publicar um prelúdio para a série numa história em quadrinhos on line, como forma de promover o seu lançamento. Clique aqui e acompanhe o que já foi publicado.

  Semana que vem tem mais, veremos o que acontece...


quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sensatez

Importantes são as decisões na vida do homem, aquelas de cunho transformador, às vezes inevitáveis. Podem, sem que ele perceba, a principio, abalar a estrutura do que constrói. Nem sempre é possivel calcular acertadamente os riscos inerentes e, principalmente, os imprevistos. Contudo, o homem não pode interromper seus passos adiante, sempre necessários e contínuos. Precisa se mover. Ele tem ideia da sua necessidade de mudança pois consegue percebê-la no mundo que o cerca. Ainda que não possa mensurar a sua medida e o seu alcance, o avanço, a evolução, a adaptação e o aprimoramento estão escritos em sua vida desde o momento da sua concepção. Percebe que a solidez pode permanecer, apesar das quedas, dos erros. Pois da queda ele se ergue, ganha forças, nos erros, aprende.
Ele caminha e faz escolhas. Ainda que num primeiro instante certas decisões possam parecer um pequeno desvio, mais adiante se revelarão uma correção de rota para a direção de seus objetivos, para aquilo que a própria vida definiu antecipadamente como o mais importante. 
Seu caminho não é uma estrada reta e larga, mas é uma estrada estreita, acidentada e sinuosa, emaranhada de trilhas e cruzamentos que podem levar os desavisados a lugar nenhum. Mas esses só se perdem porque são distraidos e não se importam com nada ou não percebem os próprios passos e não querem olhar em torno. 
O homem que se mantem no caminho certo, atenta para os sinais na estrada. Eles estão por todos os lados para auxilia-lo e mante-lo seguro. 
Seguro, mas não totalmente, mas não imune. E é bom que ele lembre sempre disso, pois no final, quase sempre, é a sua disposição que definirá o seu destino.