quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Deuses Americanos, por Neil Gaiman

Um ex-presidiário está a caminho do lar para retomar sua vida, após cumprir uma pena de 3 anos. Na memória, carrega a lembrança de sua esposa e de uma época interrompida por um crime tolo. Ele já cumpriu a sua pena. Tudo o que ele precisa agora é retornar aos calorosos e perfumados braços de sua eposa e para o velho trabalho na academia do seu melhor amigo. Mas uma chocante descoberta e um encontro inesperado abalam as perspectivas de Shadow levando-o a aceitar um estranho trabalho de um sujeito enigmático chamado Wednesday.
Desse ponto em diante, Shadow viverá experiências que desafiarão o seu senso de realidade e entrará em contato com um universo paralelo repleto de deuses e entidades bizarras, além de fantasmas que insistem visitá-lo. Viajando pelos Estados unidos, em meio a sonhos arrebatadores e encontros intrigantes - que lembram a aventura de Carlos Castañeda em Estranha Realidade e Segundo Círculo do Poder - o cenário para a deflagração de uma guerra iminente  toma forma e segue para o seu climax, enquanto Shadow procura saber qual o seu papel em meio aos acontecimentos.

Neil Gaiman entrega ao leitor uma narrativa envolvente, onde aborda o destino dos deuses da mitologia do Velho Mundo, trazidos para o Novo Continente por viajantes de eras passadas, convivendo no presente onde não são mais cultuados. Estranhos sem raízes, destituidos de cultura própria. Subsistindo num mundo sem fé, mesmo sendo relegados ao esquecimento. Suprimidos pela concorrência com tempo, que tudo muda. Trocados pelos deuses da mídia, do culto às celebridades, das drogas, da tecnologia e pelo hedonismo.
Com os seu estilo característico, o autor constrói personagens que encantam e outros que incomodam, cruza estórias curtas no contexto do romance e enriquece o seu conteúdo, nunca perdendo o ritmo. Os contos curtos, no final de quase todos os capítulos bem caberiam numa antologia de literatura fantástica.

Quando foi publicado em 2002, Deuses Americanos recebeu o Prêmio Hugo por romance em destaque e o Prêmio Nebula.  Com o passar dos anos, Gaiman revisitou o universo de "Deuses Americanos" no conto "O Monarca do Vale" publicado no primeiro volume de "Coisas Frágeis", obra que reúne diversos contos do autor.


DEUSES AMERICANOS
Autor: Neil Gaiman
448 páginas
Editora: Conrad do Brasil

sábado, 31 de dezembro de 2011

Liberdade, de Jonathan Franzen

Quando ouvi falar do romance "Liberdade" de Jonathan Franzen e do pretensioso epíteto de "O livro do Ano, e do Século", resolvi procurar saber mais sobre a obra. Li análises de críticos que confirmavam o brilhantismo do texto, embora se reservassem denotá-lo nos mesmos termos críticos do "The Guardian". Também procurei a opinião de leitores casuais cujas opiniões eram divergentes em seus comentários. Alguns consideravam um romance maravilhoso. Um verdadeiro tratado biográfico de uma família que atravessa quatro importantes décadas como cenário. Outros eram da opinião de que o texto era insosso e invariavelmente perdia-se em diálogos sem sentido ou simplistas demais.
Resolvi adquirir um exemplar e conferir por conta própria. Foi uma agradável experiência que me despendeu cada espaço de tempo livre das duas últimas semanas. O livro é realmente esplêndido e fico feliz por ser o último livro que tive oportuniade de ler este ano.

A história narra a vida intrincada da família Berglund. Uma família liberal estadunidense, de classe média, que acaba sendo sacudida pelas reminiscências do passado do casal, Walter e Patty Berglund. A narrativa atravessa os conturbados anos 1970, e se estende até o final da primeira década do século XXI, exibindo um panorama socioeconômico do País. Tece um painel realista sobre o problema da conservação ambiental e da atual preocupação acerca da incapacidade do planeta de suportar o desastroso impacto de uma sociedade em constante crescimento, com hábitos inconseqüentes de consumo e ocupação, em nome do sonho da aceitação, estabilidade e segurança. 

A obra também menciona a neurose e o medo que se instalou nos EUA após os atentados do 11 de setembro, e a consequente retaliação do governo Bush ao declarar a guerra ao terrorismo, com seus desdobramentos. Discorre sobre a opinião nacional divergente, movida pela mídia, após o fracasso das tropas em encontrar um arsenal de armas nucleares no Iraque - suspeita que levara o povo, com orgulho ferido, a apoiar a atitude do governo de invadir aquele País. A mesma mídia, aliás, que parecia apoiar aquelas medidas pelas mesmas razões. Tudo isso pulverizado em meio a narrativa intrincada sob a perspectiva de um casal em conflito com as suas escolhas, dúvidas, seus erros e acertos, e com o persistente e sempre presente espectro do passado. 

Dispensando o moralismo açucarado e pretensioso, o autor esmiuça a vida dos Berglund magistralmente, e apresenta personagens realistas com os quais qualquer leitor pode se identificar facilmente. Sem perder o ritmo, Franzen apresenta um final, se não ideal, pelo menos emocionante e comovente.
Enfim, após a leitura, só pude concluir o mesmo que a marcante personagem, que resolve escrever sua reveladora auto-biografia em terceira pessoa, intitulada como uma espécie de consolo para si mesma: "Todo mundo erra". 
Resultado: para mim, foi o melhor livro que li este ano.

"Liberdade" é uma publicação da editora Companhia das Letras.


sexta-feira, 11 de novembro de 2011

SUB SPECIE AETERNITATIS

Na semana passada, após ler um extrato que eu transcrevi do livro “A Insustentável Leveza do Ser”, postado no meu perfil de uma rede social voltada para leitores, uma das integrantes da minha tímida lista de amigos fez um comentário interessante: '… vejo que gosta da imortalidade de Kundera.' A palavra imortalidade fora sublinhado por ela. Fiquei um tanto curioso pela sua observação e, principalmente, pelo termo sublinhado - que somente mais tarde percebi tratar-se de uma referência a outra obra de Kundera, "A Imortalidade". Reli o texto que extrai do livro e tentei encontrar ali o sentido para seu comentário. Aquele extrato em nada sugeria o conceito da eternidade nietzschiana e spinozista que permeia a obra, mas gostei de fazer uma releitura e meditar um pouco à respeito.
Pensei o livro, a singular narrativa do autor. Lembrei dos personagens e a abordagem filosóficamente marcante da escrita de Milan Kundera, ao mesmo tempo observadora e perscrutadora das vidas que retrata no seu romance. O escritor evita contar a história daquelas pessoas como um expectador passivo que apenas discorre as atitudes delas e as consequências resultantes. Ao invés disso, Kundera se reserva ao papel de um observador contumaz e trata de discorrer o mundo interno das quatro personagens centrais de seu livro: Teresa, Tomas, Sabina e Franz.
Não há nada de estranho nisso, a maioria dos autores clássicos explora a psique de seus personagens. Mas Kundera faz isso de maneira espetacular recorrendo a diversas digressões ao passado daquelas pessoas para explicar suas personalidades, quase como que tentando dar-lhes uma razão própria, excluindo-as de qualquer julgamento moral. Ele faz esse exame imparcialmente, flertando com o determinismo. Escreve desculpando suas desventuras a fim de corroborar o escopo de sua teoria, para nos mostrar algo que os filósofos existencialistas chamam de condição humana. Faz questão de demonstrar os motivos internos que levam seus personagens a agir de determinada maneira, como que para eximi-los de julgamento quando interpretados de um ponto de vista externo, cuja pressão ele faz questão de esclarecer, o que é mais importante. 
Sua maestria em descrever humanamente essas duas perspectivas acaba levando o leitor a se identificar com as fraquezas dos seus personagens, que são também as nossas fraquezas.

Milan Kundera começa mostrando uma dessas histórias possíveis na vida de cada ser humano, que é inerente a cada um de nós: a visão que temos a partir de dentro. Nela, somos o centro das atenções, e conferimos a nós mesmos um centro de significância e desempenhamos o papel principal. Temos uma ideia exata de quem somos e uma certeza de importância imanente. Há metas, sonhos, memórias de uma história de vida linear que define nossa identidade e que são bases para nossas atitudes, dando-nos consistência. Enfim, somos os dignos personagens centrais da história. Pelo menos, da nossa história. Nela, temos a sensação de poder controlar o nosso destino, escrevendo novos capítulos dia após dia.
Mas essa é uma noção limitada e apenas uma parte incompleta do enredo.

Um bom exemplo que ilustra a limitação dessa visão interna e suas consequências é a ideia da importância do homem como o centro da Criação, que inspirou grandes pensadores a interpretar o mundo à sua volta de acordo com esse entendimento. Por conta disso, acreditavam que a Terra, lar do homem, era o centro do universo, com os planetas girando ao seu redor com uma coorte estelar a lhes fazer a honra nessa dança. O homem era o centro do universo. Do nosso ponto de vista, de fato, parecia que o sol, a lua e as estrelas giravam em torno de nós, afinal, descreviam seus circuitos de leste a oeste todos os dias e noites, o que levou à hipótese geocêntrica, aceita pela maioria durante muitos séculos. Essa interpretação foi muito bem recebida pelos religiosos. Outros pensadores (os heliocêntricos Johannes Kepler e Galileu Galilei, apenas para citar alguns dos mais famosos) que começaram a perceber que algo estava errado nessa interpretação - pois o fato de ser ou não o homem o centro de alguma coisa era irrelevante diante da verdade - foram perseguidos pelos geocentristas e, como não podia deixar de ser, pela Igreja, que durante muito tempo exerceu poderes de Estado. Foi determinado que a visão deles (o heliocentrismo, a teoria da terra e os planetas girando em torno do sol) era uma heresia, porque tirava o homem do centro da Criação. Mais tarde, não sem algumas baixas (falando modestamente), provou-se que a visão heliocêntrica estava correta. Não éramos mais o centro de um universo no qual os astros e toda a Criação desfilavam ao nosso redor. Tudo é muito, muito mais complexo e grandioso do que isso, como sabemos... Nossa mítica importância começou a declinar à medida em que passamos a conhecer melhor o universo que nos cerca.
Um ponto de vista interno e limitado pode colidir desastrosamente com a visão de fora, mais abrangente e realista (e, como descrevi acima, pode ser exatamente o oposto do que se pensa).

Millan Kundera também trata seus personagens a partir dessa outra história possível: a visão do lado de fora. O escritor e filósofo Mark Rowlands, Autor do livro "Scifi=Scifilo", descreve esse outro aspecto da seguinte forma:'(…) O efeito da segunda história, aquela contada do lado de fora, parece uma drástica realocação do nosso papel na trama. Longe de sermos o personagem principal da história, estamos reduzidos a um figuração. A história do lado de dentro gira ao nosso redor, mas na outra história cada um de nós é apenas um simples personagem em meio a muitos outros, um personagem cuja entrada em cena é determinada por outras pessoas e que não tem nenhum controle real sobre a hora da sua saída do palco. As coisas que impulsionam nossas vidas, as coisas que queremos, nossos planos, projetos e metas - aquilo que podemos chamar de nossa motivação - são o resultado de forças que não controlamos. Aparentemente, nosso papel foi escrito por outra pessoa. Temos pouco controle sobre o seu conteúdo e não temos a menor ideia de qual é o seu sentido.” Ele continua, de forma nem um pouco animadora: “...Além disso, somos individualmente o produto de forças que não escolhemos e que mal compreendemos. Não escolhemos nossos pais nem a época em que nascemos, e assim recebemos uma determinada herança genética sobre a qual não temos controle algum, mas que, até um ponto significante, tem controle sobre nós. Essa herança determina, em parte, as doenças a que somos suscetíveis e os limites de nossas capacidades intelectuais, atléticas e morais. Talvez não totalmente, mas o suficiente. Nascemos num ambiente que vai preencher o pouco espaço que sobra do que foi determinado geneticamente, um ambiente que, novamente, não escolhemos e sobre o qual mal temos controle, pelo menos durante nossos anos de formação. A maneira como somos e aquilo que fazemos são resultados de nossos genes e nosso ambiente, que, juntos, exercem em nós uma influência que compreendemos de forma bastante nebulosa. Era isso que os filósofos existencialistas, como Jean-Paul Sartre, por exemplo, queriam dizer quando afirmavam que somos jogados no mundo.”

Retornando ao meu exemplo, acrescentaria, para engrossar o caldo da nossa insignificância na segunda história, que vivemos num planeta com uma população de quase 8 bilhões de habitantes, que gira em torno de uma estrela que orbita uma galáxia onde existe bilhões de estrelas cercadas por seu próprios planetas. A nossa galáxia é apenas mais uma em meio a um universo que comporta bilhões de outras galáxias que também possuem seus bilhões de estrelas com seus respectivos planetas. Poderia citar ainda a teoria do multiverso, ou seja, a possibilidade da existência de outros universos independentes do nosso. Mas já deu pra entender onde quero chegar. Com essa pequena concepção do que existe lá fora fica meio dificil aceitar que Terra é o centro do Universo e que o homem é o centro da criação (bom, se você quiser, ainda pode admitir isso, afinal, nenhum alienígena desembarcou por aqui para dar um alô até agora).

O problema que quero mostrar aqui é aquele que encontramos quando tentamos conciliar as duas histórias, essas duas visões, a interna e a externa. Enquanto internamente somos o centro das atenções e de significado, do lado de fora não podemos ser nada disso absolutamente. O contrário também é verdadeiro: enquanto por dentro alguém pode se sentir um 'nada', quem o vê de fora pode encontrar nele um 'tudo'. Existe uma incompatibilidade aqui e um problema filosófico de duas versões da mesma história que deveriam ser verdadeiras mas não são. Alguém tem que estar com a verdade, ou então as duas versões combinadas deveriam corresponder a verdade. Mas por serem incompatíveis, não podem. Quando ambas são consideradas, uma história contradiz a outra. Algo como querer e não poder ou que deveria ser mas não pode. Esse paradoxo é chamado de condição humana. O que dá muito no que refletir e existem inúmeros problemas que resultam daí que são um apetitoso caldo filosófico.

Não é sem razão que o filósofo existencialista Martin Heidegger, disse certa vez, “o homem é o ser cujo ser é uma questão para si”.

Essa é apenas uma das muitas reflexões que fiz da leitura de “A Insustentável Leveza do Ser”. Encontrei ainda paralelos com o filme “La Dolce Vita” de Federico Fellini, que também discorre de maneira ainda mais crua a natureza dessas duas versões da mesma história, que corroboram o conceito de 'deveria ser mas não pode'. Uma amostra de como a leveza pode ser insustentável, pois é leve quando considerada de uma perspectiva externa, mas pode ser um peso do ponto de vista interno... 
Mas chega de divagações por hora.

sábado, 29 de outubro de 2011

Doce Rebeldia

Ontem peguei o novo volume da coleção de Calvin & Haroldo, que adquiri recentemente, e dei de cara com a "Canção do Yukon" que é uma introdução da obra. Ria enquanto lia, e lembrava do pouco do que a minha memória guardava dos velhos tempos de criança.
Os quadrinhos do Bill Watterson tem essa força, conseguem traduzir como ninguém, e sem moralismos, o que é ser criança, ao mesmo tempo em que filosofa sobre os principais problemas que assolam nosso século. Tudo isso através dos diálogos dessa cativante dupla: Calvin e o seu tigre de pelúcia Haroldo. Watterson capta também os desconcertantes momentos da vida de um casal com filhos e faz uma contundente critica sociopolítica do seculo XX.


A Canção do Yukon


Pegue o trenó, meu amigo felino
Fiz um lanche pra gente levar
Estamos prontos, e o nosso destino
É partir e não mais voltar!


Pros diabos com a velha vida!
Adeus, mamãe e papai.
Cansamos da rotina sofrida.
E, ao rabanete, diremos não mais!


Quero que a vida tenha sentido.
Quero brincar na neve o ano inteiro
E não meus pais berrando no meu ouvido
"O seu quarto está um chiqueiro".


Yukon é onde queremos morar!
Não há outra alternativa
Lá vamos gritar e xingar
E agir de maneira primitiva.


E àquela escola nefasta
Não mais iremos voltar
Aos professores tirânicos, um basta
Ninguém vai me ensinar a somar.


Legume é uma grande bobagem
Espinafre não faz crescer
De agora em  diante serei um selvagem
E só uso garfo se eu bem entender!


Nosos amigos serão lobos
Vamos dormir tarde e com eles uivar
A noite inteira sentados num toco
E de manhã queremos caçar.

Espero estar sendo enfático:
em mim ninguém vai mandar!
Ó terras geladas do Ártico!
Isso é que é vida! Mal posso esperar!


Nada de regras pra nós!
O tempo sem neve acabou.
Já vão tarde os adultos bocós!
Estamos de partida! Yukon Ho!

(Extraído do volume de "As aventuras de Calvin & Haroldo por Bill Watterson - Yukon Ho!", e que somente postei aqui porque meu filho de 5 anos ainda não sabe ler.)


Politicamente incorreto? Troque os problemas de uma ingênua criança de 6 anos pelos seus e pense se, no final das contas, você também não gostaria de estar em Yukon... Seja lá o que Yukon signifique pra você.

A Conrad publicou todas as tirinhas do Calvin & Haroldo em volumes encadernados. Bill Patterson, que começou a publicar as tirinhas em 1985, deixou de publicar tiras inéditas 10 anos depois, e foi relutante em comercializar o licenciamento de produtos com os seus personagens. O extrato acima é a introdução do álbum "As Aventuras de Calvin & Haroldo por Bill Watterson - Yukon Ho!". Todos os álbuns publicados pela Conrad podem ser adquiridos em livrarias especializadas ou na loja da editora.

Recomendabilíssimo!!!

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Agosto e suas impressões...

Último dia do mês. E eu, que pensei em postar tantas coisas neste espaço durante esse agosto que se despede, nada escrevi. Foram tantas situações interessantes, de reflexão, e captura  de sensações singulares, mesmo no rotineiro dia-a-dia. Momentos nos quais um simples registro fotográfico seria capaz de comunicar a sua aura, se clicados na surdina. Ficamos mais naturais (principalmente os não fotogênicos como eu) se fotografados sem perceber.
Embora o adágio 'uma imagem vale mais do que mil palavras' reflita uma grande verdade, jamais perdi a paixão pelo poder descritivo das palavras, e a sua capacidade de capturar e até transcender o objeto que representa, como que limando-o à perfeição. Pode ser a descrição de um sentimento, de um lugar real ou imaginário. Pode ser a representação de alguém... Se neste último caso uma imagem tem a vantagem de apresentar a criação de uma só vez em riqueza de detalhes, exaltando, inicialmente, um dos sentidos, imediatamente aquela impressão ecoa na mente, e se nos determos mais alguns instantes nas suas nuances e adentrarmos naquelas minucias e singularidades que a tornam ainda mais bela e única, então talvez sejamos capazes de expressá-la em palavras reveladoras. Expressar aquela beleza e perfeição que os olhos físicos são incapazes de enxergar, mas que estão patentes para a alma humana e sensível. Imagens que, apesar de projetadas na mente, nem por isso se fazem menos reais.